Jogo e Conhecimento

Huizinga percorre a história de muitas civilizações para descrever como se fez o surgimento do sentido de jogar.

A força física significava poder e o conhecimento um poder mágico de propriedade dos sábios. Estes eram quem obtinham a sabedoria, capacidade que ajuda o homem a identificar seus erros e os da sociedade e a corrigi-los.

Querer descobrir a origem do homem e do mundo sempre foi essencial para o ser humano, pode-se constatar mesmo nas crianças quando começam a fazer inúmeras perguntas que elas estão sempre procurando uma explicação sobre a vida. Esse questionamento, sempre presente na vida do homem, fez surgir uma ciência, a filosofia, o estudo da vida. A criação e a solução de perguntas passam a criar o chamado jogo de enigma. Esse jogo é considerado sagrado, cheio de poder secreto, uma coisa perigosa, elemento da cerimônia do sacrifício, pois com o enigma o que está “em jogo” é a própria vida da pessoa. Decifrar um enigma significava sabedoria e um discípulo se tornava mestre quando mostrava sabedoria

O concurso de enigmas sagrado relativo à origem das coisas está ligado por transições graduais ao concurso de enigmas em que estão em jogo a honra, a posse ou a vida, e finalmente às discussões filosóficas e teológicas p. 128

O enigma era um jogo sagrado que ao mesmo tempo em que se remetia ao lúdico também significava seriedade. Com o tempo os termos de seriedade e jogo se desvincularam, o jogo passou a ser encarado como divertimento, mas quando olhamos para o passado histórico temos que lembrar que jogo sempre significou conhecimento, era a forma de medir o quão sábio era alguém.


HUIZINGA, Johan. Homo Ludens. São Paulo. Ed. Perspectiva. 2004.

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